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A revolução proletária ou é radical desde o início ou será esmagada. É necessária a completa expropriação das classes dominantes, a eliminação de qualquer poder que não seja o dos operários em armas, o aniquilamento de tudo que se oponha à marcha revolucionária.
Paul Mattick nasceu na Alemanha, em 1904, numa família proletária de
tradição socialista. Militante das Juventudes Espartaquistas desde os 14
anos, foi eleito, durante o período revolucionário, delegado ao Conselho
operário das fábricas Siemens, em Berlim, onde era ferramenteiro
aprendiz. Participou em numerosas acções, revoltas de fábricas, motins
de rua, foi preso e a sua vida por diversas vezes ameaçada. Em 1920
abandona o partido comunista, que se tornara parlamentarista, e junta-se
às tendências comunistas de conselhos que formam o KAPD (Partido
Comunista Operário da Alemanha). Aos 17 anos já escreve nas publicações
da juventude comunista e instala-se em Colónia, onde encontra trabalho,
prosseguindo simultaneamente a actividade de agitação no seio das
Organizações Unitárias Operárias, de que
Otto Rühle era um dos
fundadores. É neste meio que estabelece laços de amizade com um núcleo
de artistas radicais, os Progressistas de Colónia, críticos acerbos dos
diversos avatares da arte e da cultura ditas proletárias. Como tantos
outros comunistas extremistas anti-bolchviques, e ainda graças à sua
infatigável actividade subversiva, o seu nome rapidamente se encontra
nas listas vermelhas do patronato. Reduzido ao desemprego, perseguido
pela polícia e pelos nazistas, marginalizado pelos comunistas ortodoxos,
consciente do declínio do movimento revolucionário, face à escalada do
nazismo e à bolchevização dos comunistas, Paul decide, em 1926, emigrar
com outros camaradas para os Estados Unidos.
Instala-se em Chicago, onde trabalha como ferramenteiro na metalurgia.
Entra em contacto com os IWW (Industrial Workers of the World),
sindicalistas revolucionários activos no movimento dos desempregados que
então se desenvolvia. Participa activamente neste movimento, no seio dos
grupos de desempregados radicais da região de Chicago (Workers League),
que preconizavam, contra a opinião das organizações ligadas ao PC USA, a
acção directa para obter os meios de subsistência. Junta-se de seguida a
um pequeno partido de orientação comunista de conselhos. Foi deste meio
que sairam as revistas Living Marxism (1938-41) e New Essays (1942-43),
de que Paul era o redactor. Foi igualmente nesta época que entrou em
relação com Karl Korsch, feito seu amigo, colaborador destas
publicações, tal como
Pannekoek e outros comunistas anti-bolchviques europeus e
norte-americanos. O grupo dedicava-se particularmente a analisar as
formas da contrarevolução capitalista e de integração da classe operária
no Estado: os diversos fascismos e o New-Deal americano.
Durante a guerra, Mattick continuou a trabalhar como metalúrgico. A
burocracia sindical, então sob controlo dos comunistas americanos,
impunha a paz social nas fábricas, em nome da defesa da democracia e da
aliança com a Rússia de Stalin. Nas reuniões sindicais, Paul atacava
regularmente a cláusula anti-greve lembrando que: "Agora é que os
patrões têm necessidade de nós, agora é que devemos bater-lhes!"
Depressa os gorilas sindicais lhe fizeram ver que tais propósitos não
eram nada convenientes, que afinal estávamos em Chicago e que a sua
saúde ficaria melhor se evitasse as reuniões sindicais…No fim da guerra
Paul foi para Nova Iorque, onde viveu com muitas dificuldades materiais.
Retirar-se-á em seguida para uma aldeia do Vermont, onde viverá com a
mulher e o filho em quase auto-subsistência, num pequeno pedaço de
terra. Nos anos sessenta instalou-se em Cambridge (Boston), onde
trabalhava a sua mulher Ilse. Em 1969 publicará
Marx e Keynes, Os Limites da
Economia Mista, uma das obras maiores do pensamento marxista
antibolchevique do pós-guerra. Mattick mostra que, partindo duma
repetição burguesa da análise crítica de Marx, Keynes não pôde propor
mais que uma solução provisória dos problemas económicos do capitalismo
moderno e que as condições que tornavam eficazes as medidas keynesianas
desapareciam com a aplicação das mesmas. Donde a sua oposição a todas as
correntes burguesas e stalinistas que viam na intervenção do estado um
factor de estabilização e de equilíbrio da vida económica. Neste
sentido, a sua análise dos limites desta intervenção anunciava a
emergência da reacção burguesa neoliberal e, doutro ponto de vista,
incitava ao necessário regresso à crítica da economia política de Marx,
única via para a compreensão do novo período capitalista.
Até à sua morte, a 7 de Fevereiro de 1981, defenderá a ideia que a
transformação do mundo e a abolição do capitalismo não poderão ser
levadas a bom termo senão pelos próprios interessados e que ninguém
poderá cumprir esta enorme tarefa em seu lugar. Mais, sublinhava ele, o
esforço de compreensão do mundo não tem sentido, senão se tiver por
objectivo mudá-lo.
(Charles Reeve, in Paul Mattick, De la Pauvreté et de la Nature
Fetichiste de l’Economie, Ed. Ab Irato, Paris, 1998).
Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:
1969 |
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