(1857-1858): também conhecida como Revolta dos Cipaios, Revolta dos Sipais ou Revolta dos Sipaios, foi um período prolongado de levantes armados e rebeliões na Índia setentrional e central contra a ocupação britânica. Os sipais (do híndi shipahi, "soldado") eram soldados indianos que serviam no exército da Companhia Britânica das Índias Orientais, sob as ordens de oficiais britânicos. As presidências de Bombaim, Madras e Bengala mantinham seus próprios exércitos — em 1857, contavam entre si cerca de 200 000 sipais, comparados aos cerca de 40 000 homens do exército britânico regular na Índia. Os sipais, que descontentes por receberem um soldo baixo, serem obrigados a pagar pelo transporte da sua bagagem quando deslocados para teatros de operações distantes, com o recrutamento de indianos de outras castas além brâmane e da xátria, se revoltaram com o uso de gordura animal na fabricação (impermeabilização) dos cartuchos do novo fuzil Lee-Enfield. Os sipais haviam sido treinados para rasgar o cartucho com os dentes para inserir o conteúdo no fuzil; os soldados hindus e muçulmanos suspeitavam que a gordura empregada era o sebo (de boi, abominável para hindus) ou a banha (de porco, abominável para muçulmanos) e, em 1857, recusaram-se a usar os novos cartuchos. Em 1857, ocorreram incidentes como um ataque de um sipai contra um superior britânico e a recusa em usar os cartuchos. A punição foi dura: o regimento onde ocorreu o ataque foi dissolvido e os sipais que recusaram os cartuchos foram condenados à execração pública e a dez anos de trabalhos forçados. Em 10 de maio de 1857, o 11.° regimento de cavalaria nativa do exército da Bengala se amotinou, exterminando todos os europeus (inclusive mulheres e crianças) e os cristãos indianos, marchando em seguida para Déli. Nesta cidade, no dia seguinte, outros indianos juntam-se à rebelião, atacam o Forte Vermelho (Lal Qila), matando cinco britânicos, incluindo um oficial e duas mulheres. Lal Qila era a residência oficial do imperador Badur Xá II, e os sipaios o exigem que recupere seu trono; este se deixa envolver e torna-se o chefe declarado do levante. Os cipaios massacram todos os europeus e cristãos em Déli. A rebelião começou a se espalhar para além das forças armadas, embora não tenha sido tão popular quanto seus líderes esperavam. Os indianos não estavam totalmente unidos. Havia facções que queriam que o trono fosse ocupado pelos Maratas, já os awadhis (o atual Estado de Utar Pradexe) queriam manter o poder que seu Nababo tinha antes da ocupação britânica. Por outro lado, os siques do Panjabe não desejavam a restauração de um Império Mongol, assim como aos xiitas não interessava o renascimento de um Estado sunita. A revolta não se limitou a unidades militares locais. O descontentamento na Índia tinha origem na campanha de ocidentalização imposta pela Companhia Britânica das Índias Orientais. Entre as razões do descontentamento estavam as intervenções na política interna dos Estados indianos sob protetorado. A Revolta provocou o fim do governo da Companhia Britânica das Índias Orientais que foi abolida e os britânicos procuraram integrar os governantes nativos na administração colonial. O vice-rei terminou a política de anexações, decretou a tolerância religiosa e admitiu indianos no serviço público. Estima-se que pelo menos 100 000 indianos (entre rebeldes e civis) morreram.