Dicionário político

Helenira Resende de Souza Nazareth

Retrato Helenira Resende de Souza Nazareth- Por Comissão da Verdade do Estado de São Paulo - http://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/mortos-desaparecidos/helenira-resende-de-souza-nazareth, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=78436415

(1944-1972): Oriunda de Cerqueira César (SP), mudou-se com a família para a cidade de Assis (SP) aos quatro anos. Lá, iniciou sua militância estudantil e ajudou a fundar o grêmio da escola. Mudou-se para a cidade de São Paulo, onde cursou Letras na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras da Universidade de São Paulo (FFCL-USP), na qual foi eleita presidente do Centro Acadêmico. De espírito aguerrido e posicionamento firme, logo se tornou uma das mais importantes lideranças no movimento estudantil paulistano da época e era conhecida entre seus colegas pelo apelido de “Preta”. De perfil corajoso, escreveu nos muros da Universidade Mackenzie, na própria rua Maria Antônia, a frase: “Abaixo as leis da ditadura”, em 1967, ocasião em que se deu sua primeira prisão. Foi presa novamente em maio do ano seguinte, 1968, quando convocava os colegas a tomarem parte de uma passeata na capital paulista. Naquele mesmo ano foi presa pela terceira vez em Ibiúna (SP), quando participava, na condição de delegada do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), entidade da qual era vice-presidente. Ficou detida por dois meses sendo libertada através de habeas corpus na véspera da edição do Ato Institucional nº 5, AI-5, em meados de dezembro de 1968. A partir daquele momento, Helenira, que já era militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), seguiu a orientação do partido e passou a viver na clandestinidade. Integrou o Destacamento A da guerrilha do Araguaia. Sua morte foi descrita no Relatório Arroyo da seguinte maneira:

“No dia 29 de setembro, houve um choque do qual resultou a morte de Helenira Resende. Ela, juntamente com outro companheiro, estava de guarda num ponto alto da mata para permitir a passagem, sem surpresas, de grupos do destacamento. Nessa ocasião, pela estrada vinham tropas. Como estas achassem a passagem perigosa, enviaram ‘batedores’ para explorar a margem da estrada, precisamente onde se encontrava Helenira e o outro companheiro. Este, quando viu os soldados, acionou a metralhadora, que não funcionou. Ele correu e Helenira não se deu conta do que estava sucedendo. Quando viu, os soldados já estavam diante dela. Helenira atirou com uma espingarda 16. Matou um. O outro soldado deu uma rajada de metralhadora que a atingiu. Ferida, sacou o revólver e atirou no soldado, que deve ter sido atingido. Foi presa e torturada até a morte”.

Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil pela desaparição de 62 pessoas na região do Araguaia no caso Gomes Lund e Outros (“Guerrilha do Araguaia”) vs. Brasil, estando Helenira entre elas. Após sua morte, o destacamento em que atuava, em homenagem à sua coragem e espírito de liderança, passou a chamar-se Destacamento Helenira Rezende.