
(1906-1972): Pouco se sabe sobre Francisco Manoel Chaves. Nascido provavelmente em Minas Gerais no ano de 1906, era filho de uma família de camponeses pobres. Sofreu desde pequeno a opressão do latifúndio e do racismo. Ainda muito jovem em 1928 ingressou como Praça na Marinha de Guerra do Brasil. Ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), ainda como marinheiro, e participou da Aliança Nacional Libertadora (ANL), tomando parte no Levante Popular Armado de 1935. Com a derrota do Levante Antifascista, Manoel Chaves foi preso e brutalmente torturado. Foi encarcerado no presídio da Ilha Grande (RJ), juntamente com Graciliano Ramos que, na sua obra Memórias do Cárcere, o retratou como “gordo e baixo, sempre em luta com dificuldades imensas de expressão” e “sempre em conciliábulos no fim do galpão.”. E narrou a luta de Chaves e demais prisioneiros políticos no Coletivo para resistir e denunciar as condições desumanas vividas na prisão. Em 1937 é expulso da Marinha por “atividades subversivas”. No início da década de 1940 foi posto em liberdade, entrou em defesa do Partido na luta contra os liquidacionistas capitaneados por Agildo Barata e lutou contra o perigo da dominação fascista do Brasil. Participou da Conferência da Mantiqueira realizada em 1943, na conferência foi eleito suplente do Comitê Central e a partir de então entrou para a clandestinidade, desde então fica difícil saber mais sobre sua vida. Sabe-se que exerceu o cargo de suplente do Comitê Central até 1946. Após este período, passou a integrar o Comitê Metropolitano da Guanabara (atual Rio de Janeiro). Antirrevisionista, Manoel Chaves assumiu dentro do Partido posições contrárias à linha defendida por Prestes, e veio a integrar o processo da reconstrução do Partido Comunista do Brasil sob a sigla PCdoB em 1962, após o golpe de 1964. Com 60 anos de idade, Preto Chaves se disponibilizou para ir para a região do Araguaia na primeira e heroica tentativa de levar a cabo a Guerra Popular no Brasil, atuou no destacamento C da guerrilha adotando o nome de Zé Francisco. Manoel Chaves foi assassinado pelas forças da reação durante a segunda campanha do exército reacionário no Araguaia, segundo o relatório do camarada Ângelo Arroyo:
“No Destacamento C, perto do dia 20 de setembro, dois companheiros, Vitor e Cazuza, deslocavam-se para fazer um encontro com três companheiros. Acamparam perto de onde devia ser o encontro. À tardinha, ouviram barulho de gente que ia passando perto. Cazuza achou que eram os companheiros e quis ir ao encontro deles, mas Vitor não permitiu. Disse que só devia ir ao ponto no dia seguinte. Pela manhã Cazuza convenceu Vitor a permitir que ele fosse ao local onde, na véspera, ouvira o barulho. Vitor ainda insistiu que não se devia ir ao ponto, mas acabou concordando. Ao se aproximar do local do barulho, Cazuza foi metralhado e morreu. Vitor encontrou os três — Dina (Dinalva Oliveira Teixeira), Antonio (Antonio Carlos Monteiro Teixeira) e Zé Francisco (Francisco Chaves). Como estavam sem alimento, Vitor resolveu ir à roça de um tal de Rodrigues apanhar mandioca. Os companheiros disseram que lá não havia mais mandioca. Vitor, porém, insistiu. Quando se aproximaram da roça, viram rastros de soldados. Então, Vitor decidiu que os quatro deveriam esconder-se na capoeira, próxima à estrada, certamente para ver se os soldados passavam e depois então ir apanhar mandioca. Acontece que, no momento exato em que os soldados passavam pelo local onde eles estavam, um dos companheiros fez um ruído acidental. Os soldados imediatamente metralharam os quatro. Dois morreram logo: Vitor e Zé Francisco. Antonio foi gravemente ferido e levado para São Geraldo, onde foi torturado e assassinado. Escapou a companheira Dina, que sofreu um arranhão de bala no pescoço. Depois destes fatos, o comando do C decidiu recuar e procurar por todos os meios o contato com a CM.”
Depois de morto foi “desaparecido” pela ditadura militar. A ossada que supostamente pertenceria a ele, encontrada pelo Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), não pode ser confirmada como sendo de fato de Manoel Chaves, pois não foi encontrado sequer um parente para que fizessem o DNA.
Leia mais em: Notas sobre a clandestinidade: Francisco Manoel Chaves e a participação negra nas mobilizações comunistas no Brasil